Lobo (Canis lupus)


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Bestiário


Nomes alternativos: lobo (português e espanhol), wolf (inglês, holandês e alemão), lupo (italiano), otso (basco), llop (catalão), faol ou mactíre (irlandês), volk (russo), wilki (polonês), tha’lab (árabe), ze’ev (hebraico), vrka (sânscrito), gorg (persa), susi (finlandês), okami (japonês), láng (chinês), lykos (grego), lupus (latim), cuetlachtli (nahuatl).

Comprimento médio: Regiões frias: machos, 1,35 m (mais 50 cm de cauda), fêmeas, 1,30 m (mais 50 cm de cauda). Regiões temperadas: machos 1,25 m (mais 45 cm de cauda), fêmeas 1,20 m (mais 45 cm de cauda). Regiões mediterrâneas, tropicais e subtropicais: machos, 1,20 m (mais 40 cm de cauda), fêmeas 1,15 m (mais 40 cm de cauda). Deserto árabe: machos 1,05 m (mais 35 cm de cauda), fêmeas 1,00 m (mais 35 cm de cauda). Altura média: Regiões frias: 80 cm; Regiões temperadas: 76 cm; Regiões mediterrâneas, tropicais e subtropicais: 72 cm; Deserto árabe: 66 cm.

Massa média: Regiões frias: machos 47 kg (-3½), fêmeas 36 kg (-4½); Regiões temperadas: machos 38 kg (-4), fêmeas 32 kg (-5); Regiões mediterrâneas, tropicais e subtropicais: machos 32 kg (-5), fêmeas 25 kg (-6). Deserto árabe: machos 22 kg (-6½), fêmeas 16 kg (-8).

Hábitat: originalmente, tundras, florestas, campos, estepes e desertos de quase toda a Eurásia e América do Norte ao norte do paralelo 15°, exceto no leste e sudeste da América do Norte.

Inteligência Abstrata: -9; Inteligência Concreta: -3; Resistência: +½ (deserto árabe 0); Proteção: 0; Tamanho: 0; Saúde: +1; Mobilidade: +2; Sentidos: +4 (Olfato: +12; Audição: +3; Visão: -3, com visão noturna superior e deuteranopia); Dificuldade de treinamento: +3.

Habilidades: Força: regiões frias: machos +2½, fêmeas +2; regiões temperadas: machos +2, fêmeas +1½; regiões mediterrâneas, tropicais e subtropicais : machos +1½, fêmeas +1; Deserto árabe: machos +½, fêmeas +0; Combate: +3; Esquiva: +3½; Salto: +7; Natação: +4; Furtividade: +2; Corrida: +14; Preparo Físico: +9; Caça: +3.

Manobras de combate: Morder (1½ / 2) –exceto os lobos do Deserto árabe: (1 / 1½)


Características

 

Os lobos verdadeiros às vezes são chamados de “lobos cinzentos” para distingui-los dos “lobos vermelhos” do Sudeste dos EUA, mas isso é pouco apropriado: sua coloração é bem variável – do branco ao preto, passando por vários tons de cinza e pardo e padrões mesclados característicos de certas subespécies. O pescoço costuma ser coberto por uma “juba”, geralmente de cor mais escura que o restante da pelagem e a barriga tende a ser mais clara.

Podem caçar pequenas presas (lebres etc.) individualmente ou caçar grandes presas (até dez vezes o seu peso) em alcatéias, cujo tamanho varia, conforme a disponibilidade de alimento, de dois a 36 indivíduos (média 6-7) e que podem sustentar a caçada por várias horas, até cansar a vítima. Há também lobos solitários (cerca de 10% da população), que geralmente se limitam a pequenas presas.

As alcatéias são hierarquizadas: os líderes mais agressivos, chamados de macho e fêmea alfas, a liderem e são seguidos pelos betas, que tomam seu lugar caso um deles seja morto. O animal no fim da escala é chamado ômega. Comunicam-se com linguagem corporal, expressões faciais e sinais olfativos. Cada membro da alcatéia sabe seu lugar na hierarquia, mas alfas velhos ou doentes podem ser desafiados pelos “betas”.

Localizam as presas pelo olfato (podem cheirar caça a até 2,4 km) ou por acaso. Os lobos costumam devorar toda a carcaça, incluindo parte do pelo e dos ossos. Um lobo pode consumir 10 kg de carne de uma só vez, mas o consumo médio (para um lobo grande) é de 3 kg por dia. São predadores oportunistas, que podem comer praticamente qualquer tipo de carne razoavelmente fresca.

Geralmente movimentam-se à noite, durante a qual podem cobrir grandes distâncias (até 200 km). Seu passo normal, que podem sustentar por horas tem velocidade de 9 km/h (2,5 m/s), mas podem correr a velocidades de 45 km/h a 55 km/h (13 m/s a 15 m/s). Em regiões frias e temperadas, costumam ser sedentários na primavera e verão, quando se reúnem em torno de covis para procriar e amamentar os filhotes, tornando-se nômades no outono e inverno. O território de uma alcatéia pode ter desde 130 km² a 13.000 km², conforme o seu tamanho e a disponibilidade de alimento. O covil pode ser uma fenda entre rochas, uma árvore oca ou uma escavação subterrânea, com túneis de 2 a 4 metros levando à câmara principal.

Lobos podem choramingar, gemer, rosnar e latir, mas sua vocalização mais característica é o uivo. Podem uivar porque estão contentes, para chamar a alcatéia, para intimidar possíveis intrusos ou para reforçar a coesão da alcatéia. Uivam mais freqüentemente quando têm algo a proteger, como uma grande presa recém-abatida ou os limites de seu território. O uivo pode ser ouvido a 5 a 10 km de distância (até 16 km nas tundras e pradarias). As alcatéias costumam ser hostis entre si e, às vezes, se digladiam em pequenas guerras.

As fêmeas ficam sexualmente maduras aos dois anos; os machos, aos três. Geralmente, só o macho e a fêmea alfa de cada alcatéia procriam, uma vez por ano. A gestação dura 61 a 63 dias. O tamanho médio da ninhada é 6-7 filhotes, mas é menor nos lobos do Ártico. Protegidos pela mãe enquanto os demais caçam, os lobachos emergem dos covis com três semanas e são desmamados com cinco semanas, sendo depois alimentados com comida regurgitada pelos adultos da alcatéia. Com oito a dez semanas, a família começa a se mover de um ponto de encontro a outro.

Aos seis meses, os filhotes (lobachos) começam a aprender a caçar, aos 10 meses participam da caça e entre um e dois anos de idade 60% deles deixam os pais para tentar formar sua própria alcatéia e os demais se integram à dos pais. A longevidade média em liberdade é de 6 a 9 anos; em cativeiro, podem viver até 16 anos.

Lobos podem ser domesticados até certo ponto, mas apenas se forem criados desde filhotes e receberem atenção contínua – nesse caso, o lobo assume que seu “dono” é o “alfa” de sua alcatéia e se comporta de acordo com isso. Por isso, continuará a ser hostil a humanos estranhos, mas mau cão de guarda – seu instinto o leva a latir ou uivar uma só vez quando aparece um estranho e em seguida aguardar que o “alfa” humano tome a iniciativa.

Em geral, os lobos evitam os rebanhos e preferem caçar animais selvagens, mas alguns “lobos-problema” especializam-se em atacar animais domésticos, principalmente ovelhas. Com freqüência, são animais velhos ou mutilados, sem condições de correr atrás de presas mais ágeis ou mestiços (cães-lobos e coiotes-lobos) mal adaptados.

Lobos também atacam, com freqüência, cães que invadam seus domínios. Mas ataques a humanos são muito raros, salvo por parte de animais hidrófobos (o que é incomum em regiões frias). As exceções geralmente se dão em tempos de penúria, durante invernos particularmente rigorosos e geralmente se limitam a humanos indefesos, inconscientes ou moribundos. Também é possível que lobos ataquem caçadores ou andarilhos que mexam com suas presas recém-abatidas. Lobos domesticados ou mantidos em zoológicos, familiarizados com humanos, também têm maior propensão a atacar estranhos, se forem incomodados.

Do século XIV ao XVIII na Europa e do século XIX ao início do século XX na Índia, houve vários testemunhos sobre crianças criadas por lobos, incapazes de falar e de andar e com gosto por carne crua ou carcaças, que inspiraram o Mogli do Livro da Selva de Rudyard Kipling. Há também histórias supostamente verídicas de crianças criadas por ursos, javalis, ovelhas, leopardos e macacos, mas as de lobos são muito mais comuns. Nenhum caso foi comprovado de forma totalmente convincente, mas o caso mais detalhado e plausível é o de Kamala e Amala, duas meninas, de 8 e 2 anos, que teriam sido encontradas em uma toca de lobo em 1920, junto com dois lobachos e três lobos adultos – dois fugiram e uma fêmea morreu a defender a toca. Amala, a menor, morreu no ano seguinte, Kamala viveu mais sete anos e chegou a aprender algumas palavras.


Lobos extraordinários

 

Blanca e Lobo (por Ernest Seton)

A segunda Fera de Gévaudan

(reconstrução)

Ainda que a maioria dos lobos sejam menos perigosos para os homens e mesmo para seus rebanhos do que geralmente se pensa, alguns lobos se tornaram legendários por sua destrutividade. Vários deles tiveram a cabeça a prêmio e foram perseguidos por vários anos, sem sucesso.

De 1890 a 1930, no Oeste dos EUA, pelo menos 59 se tornaram suficientemente famigerados para receber um nome; seriam responsáveis, em média, pela morte de 57 cabeças de gado por ano. A maioria deles eram lobos experientes e manhosos, em metade dos casos solitários – por escolha ou por sua alcatéia ter sido dizimada.

Muitos (pelo menos 19) foram animais mutilados por armadilhas, que passaram a atacar animais de fazenda por não serem mais capazes de perseguir presas selvagens, como às vezes mostram seus apelidos – Old Three Toes, Old Two Toes, Peg Leg, Club Foot, Three-Legged Scoundrel etc. Pelo menos 19 eram animais idosos, com mais de dez anos. Judith Basin Wolf, magro e esquelético, teve sua idade avaliada em 18 anos quando foi abatido. Outro, conhecido como Old Whitey, depredou uma região do Colorado por quinze anos. Um deles, apelidado Custer Wolf e perseguido por quatro anos sem sucesso por uma recompensa de US$ 500, associou-se a dois coiotes depois que sua família foi destruída; ao ser finalmente morto, em 1920, viu-se que era um animal grisalho, velho e de tamanho médio (1,83 m de comprimento, 44 kg). Sete desses lobos tinham traços que sugeriam hibridização com cães domésticos.

Um deles, porém, fugiu desse padrão. Liderava uma pequena alcatéia de, talvez, seis animais, fortes, saudáveis e ágeis – um deles foi visto caçando antílopes para a alcatéia. A história de sua caçada tornou-se um épico do Faroeste. Era conhecido pelos mexicanos como El Rey e pelos estadunidenses como Lobo, o rei de Currumpaw (norte do Novo México) ou o Matador Gigante de Gado. Sua alcatéia matou bezerros em grande quantidade entre 1889 e 1894  e 250 ovelhas em uma só noite, aparentemente por diversão (não foram devoradas). Foi abatido, junto com sua companheira Blanca, em troca de uma recompensa de US$ 1.000. Tinha 91 cm de altura e pesava 68 kg, sabia identificar armadilhas e não permitia à sua alcatéia alimentar-se de animais mortos, que poderiam ter sido envenenados. O caçador – Ernest Thompson Seton – publicou um relato da aventura, The Story of Lobo (incorporada a seu livro Wild Animals I Have Known) e uniu a pata de Lobo à sua assinatura. Mais tarde, tornou-se um conhecido defensor da natureza e do meio ambiente em geral e dos lobos em particular.

Um caso ainda mais famoso se deu entre 1764 e 1767, quando um suposto lobo matou pelo menos 64 pessoas no sul da França (63 mulheres e crianças e só um homem adulto) e atacou um total de mais de 150, nas regiões de Gévaudan e Vivarais, província do Languedoc. Ficou conhecido como a “La Bête de Gévaudan” (a Fera de Gévaudan) e inspirou o filme O Pacto dos Lobos.

Só em 1764, 74 lobos foram mortos na tentativa de destruir a Fera. Em 1765, foi abatido um grande animal que foi identificado como a “Fera”. Pesava 64 kg, tinha 87 cm de altura e 183 cm de comprimento total. Mas não era o verdadeiro assassino, ou pelo menos não o único: as mortes continuaram até que em 1767 foi morto um segundo animal, que pesava 58 kg.

Houve boatos de que o animal seria uma hiena, mas a mordida, tal como foi desenhada na época, parece mais a de um canídeo. Caçadores experientes, um cirurgião e o biólogo Buffon, que chegou a examinar a segunda carcaça, não duvidaram de que eram lobos, ainda que com características estranhas. Os focinhos pareciam longos demais (mandíbula de 45 cm, medida pelas mordidas) e a cauda (22 cm na segunda Fera) muito curta para um verdadeiro lobo. Os padrões de cores também eram atípicos: o primeiro tinha a garganta branca, o segundo era avermelhado. O comportamento foi ainda mais atípico, pois não há notícias de outros lobos não-raivosos que atacassem sistematicamente seres humanos e era evidente que esses animais não eram hidrófobos – tanto pelo tempo que viveram, quanto pelo fato de que devoravam suas vítimas. Parece provável que ambas as Feras, ou pelo menos a segunda, fossem híbridos de lobos com grandes cães domésticos.

El Rey Lobo:

Massa: -1½; Inteligência Abstrata: -7; Inteligência Concreta: -1; Resistência: +1; Saúde: +2; Mobilidade: +2; Esquiva: +3; Força: +4; Combate: +4; Salto: +8; Natação: +5; Furtividade: +3; Corrida: +14; Preparo Físico: +10; Caça: +4; Morder (2 / 2½).

 

Besta de Gévaudan:

Massa:: -2½; Inteligência Abstrata: -8; Inteligência Concreta: -2; Resistência: +1; Saúde: +2; Mobilidade: +2; Esquiva: +3; Força: +4; Combate: +4; Salto: +7; Natação: +4; Furtividade: +3; Corrida: +12; Preparo Físico: +7; Caça: +3; Morder (2 / 2½).


Distribuição e subespécies

 

Originalmente, a espécie era encontrada em quase toda a Eurásia, América do Norte, Egito e Líbia, exceto as pontas meridionais da Índia, Malásia e Indochina e o sul e as costas do México. Atualmente, está quase extinto nos EUA, México, Europa Ocidental e China oriental, salvo reservas isoladas. Está totalmente extinto no Japão, sul da China e sudeste Asiático. As maiores populações remanescentes são encontradas na Rússia (cerca de 70 mil), Canadá (cerca de 60 mil) e Mongólia (30 mil).

Os lobos foram tradicionalmente classificados em 39 subespécies (raças naturais) com diferentes pelagens e proporções corporais, das quais 24 na América do Norte (incluindo 5 extintas) e 15 na Eurásia. Atualmente, porém, reconhecem-se apenas 4 subespécies de lobos verdadeiros na América do Norte e 9 na Eurásia (incluindo uma extinta, que viveu no Japão). A subespécie do chacal que habita o Egito e a Líbia (Canis aureus lupaster), o extinto lobo anão do Japão (Canis hodophilax) e o lobo do leste da América do Norte (Canis lycaon) às vezes também são considerados subespécies do Canis lupus.

Modernamente, o cão doméstico costuma também é considerado uma subespécie do lobo (Canis lupus familiaris), bem como duas raças de cães domésticos que retornaram à vida selvagem: o dingo da Austrália (Canis lupus dingo) e o cão cantor da Nova Guiné (Canis lupus hallstromi). Estas subespécies estão consideradas entre os cães.

 

Subespécie

distribuição

Características

Canis lupus albus

Tundra eurasiática da Finlândia ao extremo leste da Sibéria e península de Kamchatka

Conhecido como “lobo da tundra”. Ao contrário do lobo ártico, não é totalmente branco – geralmente é cinza claro. Extinto nas ilhas do ártico, exceto Wrangel. Vive dez anos, mas em cativeiro pode chegar a vinte. O maior já medido pesava 77 kg. O tamanho médio da alcatéia é 6-7 membros, mas pode variar de 2 a 20. Caçam caribus, bois almiscarados e lemingues e lebres. Cruzam em março e os filhotes (6-7) nascem em maio ou início de junho. Comprimento 1,52 m, com 44 cm de cauda. Peso médio 46 kg (macho).

Canis lupus communis

Norte da Rússia Européia e Centro-oeste da Sibéria.

Grande lobo da Rússia central, comparável em tamanho ao occidentalis da América do Norte.

Canis lupus lupus

Europa, Sul e Oeste da Rússia Européia, Ásia Central, China, Mongólia e Coréia.

O lobo dos contos de fadas europeus e dos mitos gregos e nórdicos, que vive nas florestas da Europa à Sibéria e nas estepes e desertos da Ásia Central. Inclui as antigas subespécies minor (Áustria e Hungria, extinto no início do século XX), laniger (China e Coréia, médio, com pelo longo e de cor clara), desertorum (desertos da Ásia Central) e campestris (o lobo da estepe siberiana e mongol, relativamente pequeno, com pelo grosso e curto, cinza com um toque de ocre). Comprimento 1,05 m a 1,35 m; peso 25 kg a 55 kg.

Canis lupus hattai

Ilhas de Hokkaido, Sakhalina e Kurilas

(Extinto)

Conhecido como ezo, era um lobo de tamanho médio. Extinguiu-se em Hokkaido em 1889, mas foi visto nas ilhas Sakhalina e Kurilas até 1945. Comprimento de 140 cm, incluindo 40 cm de cauda.

Canis lupus signatus

Península Ibérica

Cinzento ou cinzento-vermelhado, com marcas negras nas patas dianteiras. Atualmente encontrado só no norte da Espanha e em Trás-os-Montes, Portugal. Comprimento total de 131 a 178 cm de comprimento (machos) e 132 cm a 165 cm (fêmeas); peso entre 20 e 41 kg (média 32 kg) para os machos 20 a 36 kg (média 28 kg), para as fêmeas. O tamanho da alcatéia varia entre 3 a 5 indivíduos no fim do inverno e entre 7 a 10 animais no verão, após o nascimento dos lobachos. População atual: cerca de 1.000 (300 em Portugal).

Canis lupus italicus

Península da Itália.

Vive na península italiana. Inclui a lendária loba que amamentou Rômulo e Remo. Os machos pesam 30-35 kg, as fêmeas, 20-25 kg. O corpo tem 70 cm a 120 cm e a cauda, 30 cm – 50 cm. A altura é de até 80 cm.. População atual, cerca de 450 exemplares.

Canis lupus cubanensis

Cáucaso e regiões adjacentes da Turquia e Irã.

Como as subespécies signatus e italicus, tem características intermediárias entre os clássicos lupus, da Eurásia Central e pallipes, da Índia e Oriente Médio.

Canis lupus pallipes

Síria, Palestina, Iraque, Turquia, Irã e Índia

Lobos pequenos, que tendem a ser maiores no limite setentrional de sua distribuição. Teria criado Mogli no Livro da Selva de Rudyard Kipling. Caçam gazelas, mangustos, lebres, roedores, esquilos, perdizes, codornas e galos selvagens. Altura 46 cm a 76 cm; peso 25 kg a 32 kg. População atual, cerca de 3 mil. Provavelmente é o ancestral da maioria dos cães domésticos.

Canis lupus arabs

Arábia

Vivem em pares ou em grupos de 3 ou 4. Às vezes são considerado a mesma subespécie do lobo indiano, mas são menores. Altura 66 cm; peso médio 22 kg (machos) e 16 kg (fêmeas). População atual, menos de 300 exemplares.

Canis lupus arctos

Ilhas árticas de Melville, Banks e norte da Groenlândia, ao norte do paralelo 67°

Conhecido como lobo ártico ou lobo branco, não é albino, pois os olhos são normais. Ficam adultos com 3 anos e procriam em abril-maio. Ninhada de apenas 2-3 filhotes (de cor bege), em vez dos 5-6 das subespécies de regiões menos frias. Caçam roedores (arganazes, lemingues), lebres, caribus e bois almiscarados. Têm pernas, orelhas e focinho curtos e pelo branco e espesso. Os territórios das alcatéias são da ordem de 2.500 km². Inclui as antigas subespécies arctos, bernardi e orion. Comprimento 100 cm a 150 cm, altura 64 cm a 79 cm, peso 34 kg a 63 kg (machos).

Canis lupus occidentalis

Norte das montanhas Rochosas, vale do Mackenzie, Alasca, Manitoba e península de Kenai

Lobo das Montanhas Rochosas, mais freqüentemente negros ou cinzentos escuros, mas ocasionalmente pardos ou mesmo brancos. Caçam alces, bisões, caribus, carneiros, veados, cabras, castors, salmões, roedores e lebres. Inclui as antigas subespécies columbianus, griseoalbus, mackenzii, occidentalis, pambasileus e tundrarum. Altura média de 76 cm, peso de 38 kg a 52 kg. O maior lobo já medido cientificamente pertencia a esta subespécie e pesava 79 kg. Também é nessa subespécie que ocorrem as maiores alcatéias: de 10-12, às vezes 20-36, cobrindo territórios de 900 km² a 1.500 km². A essa subespécie pertenceria o lobo Caninos Brancos (White Fang) do livro homônimo de Jack London.

Canis lupus nubilus

Sul das Montanhas Rochosas, costa oeste do Canadá e noroeste dos EUA, grandes planícies, região dos Grandes Lagos, Terra Nova, Labrador, Baía de Hudson, sudoeste da Groenlândia e ilha de Baffin

Conhecido nos EUA como buffalo wolf ou lobo das planícies. Cor cinza, negra ou amarelada. Inclui as antigas subespécies beothucus, crassodon, fuscus, hudsonicus, irremotus, labradorius, ligoni, manningi, mogollonensis, monstrabilis e youngi. Comprimento total de 1,37 m a 1,98 m, peso 27 kg a 50 kg. A esta subespécie deve ter pertencido o famoso El Rey Lobo, que devastou fazendas de gado entre 1889 e 1894.

Canis lupus baylei

México e sudoeste dos EUA

Tem a maior juba entre os lobos e pelo de cores mistas (preto, cinza, amarelado e vermelho). Caça principalmente alces e também veados, carneiros, antílopes, coelhos, pecaris e roedores. Conhecido como “lobo mexicano”. Altura 66 cm a 80 cm; comprimento total, 1,37 m a 1,65 m; peso 23 kg a 41 kg.


Espécies afins

 

Pelo menos outras cinco espécies de canídeos (duas perto da extinção, duas já extintas) costumam ser consideradas como lobos:

 

Espécie

Localização

Descrição

Lobo vermelho

Canis rufus

Originalmente todo o Sudeste dos EUA, do Texas e Flórida ao sul do Illinois..

Massa média: macho: 28 kg (-5½); fêmea 24 kg (-6½). Altura: macho: 66 cm. Comprimento: macho 1,22 m, mais cauda de 39 cm; fêmea 1,07 m, mais cauda de 36 cm. Força: macho +1, fêmea +½. Mobilidade: 2; Corrida: +14; Esquiva: 3½; Preparo Físico: +5; Morder: (1 / 1½). Demais características semelhantes aos lobos verdadeiros.

 

Conhecido localmente como red wolf, alimenta-se principalmente de veados (50%), guaxinins (30%), coelhos e roedores. A alcatéia é tipicamente formada por 5 a 8 membros, mas caçam a maior parte do tempo individualmente ou em pares. Território de cerca de 100 km². Já foi considerado um cruzamento natural entre o lobo Canis lupus  e o coiote Canis latrans, mas análises genéticas recentes comprovaram que se trata de uma espécie separada. Geralmente é de cor avermelhada, mas já se viram exemplares pretos.

Comum até o início do século XX, chegou à beira da extinção em 1970. Restavam então só 100 exemplares na costa do Texas e Luisiana. O serviço de pesca e vida selvagem dos EUA capturou os remanescentes entre 1974 e 1980 e selecionou 14, que melhor correspondiam ao padrão da espécie, para um programa de reprodução. Os demais estavam demasiado hibridizados com coiotes.

Em 1987, os lobos vermelhos começaram a ser reintroduzidos em reservas florestais, a começar pela Carolina do Norte. O objetivo é uma população total de 550, 220 dos quais em liberdade.

Lobo do leste

Canis lycaon

Originalmente, nordeste dos EUA e sudeste do Canadá.

Massa média: macho: 34 kg (-4½); fêmea 27 kg (-5½). Altura: macho: 68 cm. Comprimento: macho 1,28 m mais 40 cm de cauda; fêmea 1,1 m, mais 40 cm de cauda. Força: macho +1, fêmea +½. Mobilidade: 2; Corrida: +14; Esquiva: 3½; Preparo Físico: +5; Morder: (1 / 1½). Demais características semelhantes aos lobos verdadeiros.

Geralmente cinzento e conhecido na América do Norte como eastern timber wolf ou deer wolf, foi até recentemente classificado como a subespécie Canis lupus lycaon, embora seja algo menor que a maioria dos lobos que vivem na mesma latitude. Entretanto, análises genéticas recentes mostraram que se trata de outra espécie, mais próxima do Canis rufus (e mesmo do coiote) que do Canis lupus. População atual de 10 mil exemplares, principalmente em Ontário e Québec – na Nova Inglaterra e Nova York, está extinto. Os veados são sua principal presa, como também acontece com o Canis rufus.

É possível que Canis lycaon e Canis rufus sejam subespécies de uma mesma espécie, que divergiu do coiote (Canis latrans) e evoluiu na América do Norte independentemente do Canis lupus eurasiático, que mais tarde (há cerca de 300 mil anos) ocupou o norte e oeste da América do Norte que, durante o Pleistoceno, estavam separadas do leste e sudeste por glaciares. Ao contrário do Canis lupus, tanto Canis rufus quanto Canis lycaon cruzam-se facilmente com coiotes em ambiente natural.

Lobo da Etiópia

Canis simensis

Originalmente todas as províncias da Etiópia, em urzais e campos abertos com vegetação não mais alta que 25 cm das regiões montanhosas (altitudes de 3.000 m a 4.377 m).

Massa média: macho: 16 kg (-8); fêmea 13 kg (-9). Comprimento: macho 1,00 m, mais cauda de 33 cm. Força: macho 0, fêmea -½. Mobilidade: +1½; Corrida: +12; Esquiva: 3½; Preparo Físico: +7; Morder: (1 / 1½).. Demais características semelhantes às dos lobos verdadeiros.

 

Conhecido localmente como arouaye, jedalla farda, ky kebero (kay kabaro) e walgie, foi também chamado pelos zoólogos de chacal de Simien (nome de uma cadeia montanhosa onde são encontrados)., mas hoje é considerado uma espécie de lobo e não de chacal.

Forma alcatéias de 3 a 13 animais, com média de 6 adultos (4 machos e 2 fêmeas), 1-6 filhotes de um ano e 1 a 7 filhotes pequenos.

Ao contrário do Canis lupus, é ativo de dia e dorme durante a noite. As alcatéias se reúnem para saudações e patrulha de fronteiras na alvorada, meio-dia e pôr-do-sol, mas a maior parte da caça é feita individualmente.

A estação de cruza é agosto-novembro e a gestação é de 60 dias. A fêmea alfa cruza apenas com o macho alfa ou com visitantes da alcatéias vizinhas. Ela pare, entre outubro e janeiro, uma ninhada de 2 a 6 filhotes, que levam 3 semanas para emergir do covil. As fêmeas subordinadas, se existem, abandonam seus próprios filhotes para ajudar a cuidar dos da fêmea dominante.

Os uivos são ouvidos a até 5 km de distância. Alimenta-se principalmente de ratos-toupeiras pelados, cujos ninhos são escavados, ratos do campo, filhotes de gansos, ovos, filhotes de gazelas e, ocasionalmente, carniça.

A população remanescente é de 1.000 indivíduos, dispersos por cinco ou seis áreas isoladas (metade dela no parque das Montanhas Bale) e está em risco de extinção.

Lobo terrível

Canis dirus

América do Norte, de 1.000.000 a.C. a 11.000 a.C.

Massa média: macho: 67 kg (-1½); fêmea 54 kg (-2½). Comprimento: macho 1,50 m, mais cauda de 50 cm; fêmea: 1,40 m, mais cauda de 50 cm. Altura: 100 cm. Inteligência Abstrata: -10; Inteligência Concreta: -4; Força: macho: +4; fêmea +3½. Resistência: +1. Mobilidade: +½; Esquiva: 2½; Corrida: 10. Preparo Físico: +6; Caça: +2. Morder (2 / 2½). Demais características semelhantes às dos lobos verdadeiros.

 

Só um pouco maior que as maiores subespécies do Canis lupus, mas bem mais maciço, tinha dentes bem maiores e patas proporcionalmente mais curtas e robustas. É conhecido em inglês como dire wolf, extinguiu-se no final da Idade do Gelo, provavelmente devido ao desaparecimento dos grandes mamíferos que caçava. Pela freqüência com que são encontrados seus restos em poços de asfalto (nos quais carnívoros modernos raramente são apanhados) acredita-se que eram menos ágeis e astutos que os lobos verdadeiros e alimentavam-se principalmente de carniça.

Lobo japonês

Canis hodophilax

Florestas montanhosas nas ilhas de Honshu, Kyushu e Shikoku,  Japão

Massa média: 8 kg (-11). Comprimento: 0,70 m, mais cauda de 30 cm. Altura: 36 cm. Tamanho: -1. Força: -2. Resistência: -½. Mobilidade: +½; Esquiva: +3½; Corrida: 8. Morder (½ / 1). Preparo Físico: +6. Demais características semelhantes às dos lobos verdadeiros.

 

Este lobo extinguiu-se em 1905. De patas curtas e hábitos aparentemente solitários, era conhecido no Japão como okami (grande deus), magami (deus verdadeiro), yama no kami (deus da montanha). Os ainus o chamavam “deus uivante”. Alguns o consideram uma subespécie anã do lobo verdadeiro, Canis lupus hodophilax.


Mitos e folclore

O lobo é mais freqüentemente um símbolo de crueldade, rapacidade e cobiça. O Lobo Mau que come criancinhas (como Chapeuzinho Vermelho) é um dos bichos-papões mais comuns no folclore europeu, pois os lobos eram uma ameaça comum aos rebanhos (e a principal razão pela qual os homens criavam cães pastores e recolhiam o gado à noite) e lobos hidrófobos ocasionalmente atacam pessoas. Na Grécia antiga, as crianças mal-comportadas eram ameaçadas com a loba de Mormoliceu, ama-de-leite de Aqueronte.

O mais famoso dos lobos do mal é Fenrir, que na mitologia nórdica é filho de Loki. Temido pelos deuses de Asgard, foi amarrado com a inquebrável corda Gleipnir pelo deus Tyr, que com isso perdeu a mão que havia colocado entre suas mandíbulas para enganá-lo. No fim do mundo, Fenrir se soltará e matará o deus supremo Odin.

Também é forte a associação do lobo com a magia: segundo as crenças medievais, feiticeiros transformavam-se em lobos para ir ao Sabá e feiticeiras usavam ligas de pele de lobo. Na Espanha, lobos serviam de montaria a feiticeiros. A lenda do lobisomem e de lobos possuídos por demônios também assombravam as mentes dos europeus.

O lobo (e mais ainda a loba) também pode ser símbolo de libertinagem. Em Roma, lupa (loba) era sinônimo de prostituta (daí lupanar, sinônimo de bordel).

Na China, a estrela Sírius (estrela do Cão para os ocidentais) é conhecida como O Lobo Celestial. Os 50 dias a partir do momento em que essa estrela começa a se tornar visível no Hemisfério Norte (entre julho e agosto), são conhecidos na Europa como canícula ou, em inglês, dog days, porque é a época de maior calor, durante os quais a hidrofobia ataca cães e lobos com maior freqüência.

Por outro lado, o Lobo também é um símbolo de bravura e heroísmo. Na Grécia, o lobo era consagrado a Apolo, nesse papel chamado Lykios (lupino) e o deus Hades se vestia com uma capa de pele de lobo. Zeus também tinha uma forma lupina (Lykaios). O ancestral mítico de Gengis Cã era um lobo cinzento e as tribos turcas freqüentemente carregavam uma cabeça de lobo em seu estandarte. Um provérbio chinês diz que “é melhor matar dez tigres que um lobo”, pois os tigres são solitários, mas a alcatéia pode vingar um dos seus.

Nos países bálticos, existiu a crença em lobisomens benevolentes. Tais “lobisomens” eram homens reais que nasciam empelicados (envolvidos em sua membrana amniótica) o que, segundo a crença popular, os predestinava a esse papel. Em transe, viam-se como lobos a descer aos infernos e enfrentar demônios, bruxos e bruxas pelo bem de sua comunidade, nas noites de Santa Lúcia (13 de dezembro), Pentecostes (domingo sete semanas depois da Páscoa, geralmente em maio) e São João (24 de junho), para trazer de volta o gado, os cereais e os frutos da terra roubados pelos espíritos do mal e garantir um ano de fartura.

Vários povos têm lendas sobre lobos que adotam e criam crianças pequenas que foram perdidas ou abandonadas. Além da lenda romana de Rômulo e Remo, há no norte da China um conto popular a respeito de uma criança criada por um lobo, que depois de crescido procurou os conselhos do pai adotivo.


O Brasil dos outros 500

No Brasil dos outros 500, os lobos existem em praticamente toda a sua distribuição original no Hemisfério Norte. Lobos gigantes ainda são encontrados no norte do Império Méxica.


Atlântida

No universo de Atlântida, os lobos e lobos gigantes são encontrados em todo o Hemisfério Norte.


Solidariedade Galáctica

No Universo da Solidariedade Galáctica, os lobos continuam a existir com a mesma distribuição do Brasil dos outros 500.